03
Mai
09

Uma forma de ver… Negatividade.

– Posso escolher esse livro aqui?

– Não. Esse não.

 

– Caraca, bem que podíamos abrir as quatro portas do carro enquanto essa música toca!!

– Não.

 

– Vamos brincar de abecedário, mas indo de A ao Z.

– Really? Não.

 

– Vai, por favor… Cê fica aí sentado mesmo e eu só guiando com o volante…

– Er… Não.

 

– É. Num sítio, o fim de semana inteiro.

– Não. Vão lá, se quiserem.

 

– Vai, só um gole…

– Não. Bem que eu queria, mas vou dirigir…

 

– Sei que vai defender a tempo. Tua monografia tá quase pronta.

– Acho que não.

 

– Vai, só um gole (2)…

– Não. Me dá aqui, deixa só eu cheirar… Hehehe…

 

– Vai sair com o carro?

– Não. Eu acho que não. Diego, vai levar o pessoal, hoje?

 

– Seis pães, dá?

– Claro que não mãe, o Andrés tá aqui.

 

– Tava sorrindo naquela foto…

– NÃO.

 

– E esse boné cabe na tua cabeça?

– Não, mas vou esticá-lo pra cê não usar… Hehehe…

 

– Mas os óculos vão quebrar…

– Não, porque são parafusados. São mais flexíveis.

 

– Acho que não tem mais jeito…

– Não cara. Na boa. Não é por aí.

 

– Dança comigo?

– Não, não. Fisgada.

 

(..)

 

– Rola carona, hoje? =P

– Não. Hoje não dá. Hehe…

– Fica, Victor.

– Não.

(…)

– Então, boa sorte, mano.

– Obrigado, vou precisar. A propósito, façam o possível para continuar assim, pois quando voltar, quero amigos para me acolherem. Ah, e outra coisa, eu não tô morrendo porra! =P

 

Música sugerida: Closing Time – Semisonic

18
Mar
09

Uma forma de ver… Infância.

Ela não é minha filha, mas chega bem perto de ser. Chora demais. Às vezes, por meia hora sem parar e o pior, sem motivo. Tudo bem que rolam lágrimas, mas na maioria das vezes é por pura tolice. Ela já corre, pula e dança “marcha soldado”. Já tem cabelo suficiente para usar prendedor e força para quebrar meu nariz. Ela ri, bem alto, como se entendesse minhas piadas. Só para ter uma idéia, já levanta a mão tentando agredir quem a irrita… Ela é demais. Nem lembro mais como era minha vida antes de ela vir ao mundo.

 

Ela não dorme às vezes, nem nos deixa dormir. Ela grita alto quando quer alguma coisa. Quando acorda, corre para os braços da minha mãe como se também fosse mãe dela. Ela a ama e não precisa saber falar para que entendamos. Ela a ama. Também não sabe falar ainda. Simula um “mamã” e “vovó” de vez em quando e desiste de repetir se forçarmos a barra; ela tira uma com a nossa cara… Ela é um presente. Dizer que foi um erro é mentir pros outros, pra Deus e pra si mesmo.

 

Me sinto mal quando ela adoece. Perco a noção do tempo tentando fazê-la rir. Ela nem é tão apegada assim comigo e gosta de arrancar meus óculos do rosto. Não fico com raiva. Não, sempre. Vejo a mais pura inocência nos olhos dela… Pelo menos, antes de me desferir um tapa no rosto! Faço palhaçadas para ver se lhe chamo a atenção e ela nem me dá moral. Acho que gosta mais da mãe, tia e avó. Tios (no sentido masculino mesmo) não têm lá um papel de fundamental importância na vida dos sobrinhos… Ela é muito enjoada. Só me pede colo, quando as outras duas estão fulas da vida com ela.

 

Ela tem pouco mais de um ano. Chegou nos braços da mãe com o tamanho menor do que um “meu bebê”. Não tinha ainda a coloração rosada na pele, nem os olhos grandes e expressivos no semblante. Ao invés disso, possuia uma cútis roxa, olhos miúdos e mãos com dedos compridos, ainda experimentando o calor do dia, as ferradas das muriçocas, a luz do sol e os carinhos daquelas pessoas, ainda estranhas. Tudo era a primeira vez. Ela ainda é um bebê. Cada ato executado por ela ainda carrega consigo uma sensação de ineditismo.

 

Ela está em tudo o que eu vejo na casa. Desde o lençol desarrumado, a tampa do vaso levantada. Dos pelos arrancados da gata, a cadeira da mesa emborcada. Ela está na cozinha mexendo nas panelas e, de repente, como um furão, já surge na sala: quando ouvimos o som da tevê ligada. Ela já alcança a estante. Ela está em tudo fora de ordem que hoje tem nos cômodos. É a origem de onze entre dez gritos de carão que ouço da boca da minha mãe. Ela é nossa menor e única inquilina. Faz-me sentir bem quando ninguém mais faz. Ela é hiperativa. A bagunça é a marca de que ela passou por lá.

 

Ela me abraça, às vezes. Chora, corre e dança “marcha soldado”. Ela é tola. Não é minha filha, mas é como se fosse. Meus amigos dizem que lhe sirvo de pai, mas respondo que ainda preciso de muito para tanto. Faço o possível para ajudar na criação, mas ainda é pouco. Carrego-a no colo e a embalo para dormir, mesmo que não consiga. Ela já me pede benção antes de sair de casa e abraça minhas pernas quando chego do trabalho. É algo especial para a minha vida, de minha mãe e irmã. Mais do que nossas rotinas, mudou nosso modo de ver o mundo. Sinceramente, não sei o quanto era bom, mas tudo está melhor desde que ela chegou e perguntou: “tem um lugar pra mim?”. E tem. Insubstituível, diga-se de passagem.

 

Sugestão de música: Espatódea – Nando Reis

06
Mar
09

Uma forma de ver… Rotina universitária.

 

Faz quase um ano. Outro dia estava vendo o vídeo do último dia de aula. Um amigo meu, Victor, gravou no próprio celular, a jornada desde a saída até a volta para casa. Engraçado ver como foi um dia comum, parte da desgastante rotina acadêmica. Embalados entre os mesmo risos, as mesmas piadas (toscas) e os mesmos rostos, parei para pensar o quanto isto faz falta. Como dizia um post do Agridoce, blog de outro amigo – Andrés Pascal –, “aula dá saudade”.

 

Nada mais que um dia em que cheguei atrasado (proeza que repeti na colação de grau – onde era o orador – e na defesa da monografia). Em que Tati não aparecera porque estava ocupada com o trabalho. Em que Roberta estava aflita pela possibilidade de reprovação. Nada mais que um dia em que Diego estava tranqüilo. É. Nada mais que um dia a mais.

 

O problema é que, dessa série de dias marcados pelas características acima citadas, este foi o derradeiro. Claro que muitos de nós viríamos a nos ver novamente para os encontros com orientadores de monografia e tudo mais, mas isso, somente quando os dias coincidiam.  É fato também, que ainda mantivemos contato depois – estreito até –, mas, sem aquela pressão do dia-dia para resolver pendengas e atritos, saber direitinho o passo a passo do outro, entre outras “vantagens” que deixaram de existir.

 

Fico imensamente feliz por “conviver” em um ambiente de trabalho tomado por ex-companheiros de sala. Muito mais, em sair com os mesmos no fim de semana ou se reunir para ver futebol e jogar PES. Fico feliz por ainda receber ligações, e-mails e recados ou depoimentos de Orkut. Sei, no entanto, que nem todos seguirão os mesmos caminhos, “que nada será como antes, amanhã”.

 

Hoje, vamos pouco a pouco tomando nossos rumos. Entre tantos que irão embora e outros que ficarão – mas cada vez menos disponíveis para estes programas –, restarão saudades. Lembranças de um tempo pra lá de bom em que o peso da responsabilidade era medido em notas e os “chefes” sempre davam novas chances de consertar erros (menos com relação a atrasos…). Lembranças de um tempo que, registrado em fotografias, revelava sutilmente os laços invisíveis que havia.

 

Aos queridos amigos, saudades.

 

Sugestão de música: Fotografia – Leoni.

03
Mar
09

Uma forma de ver… Saúde pública.

 

 

Funcionário público modelo? Creio que não e ainda aponto o emprego do termo como mera idealização barata… Em três anos no funcionalismo estadual, me deparei com a experiência mais chocante da carreira (pelo menos na área da saúde e como não-médico), ao assumir uma das vagas do setor de registro (atendimento ao público) do HPS Dr. João Lúcio Pereira Machado, em setembro de 2008.

 

Nesta visão do serviço público de saúde do Amazonas, a idéia é dar foco à população, no que se refere a comportamento, tomando como base as funções dos estabelecimentos conforme a classificação dos órgãos responsáveis. Uma crítica não feita sob o olhar do jornalista ou do funcionário público, mas do paciente em potencial.

 

Lotação esgotada e noção de humanidade: Responsabilidade do Governo? Sem dúvida. No entanto o que se encaixa nas funções de um Hospital Pronto Socorro (HPS) e de um SPA (Serviço de Pronto Atendimento)? Terá a população ciência total dos papéis que cada lugar exerce? Esta noite, me questionei bastante a respeito disso. Como trabalho das 19h às 7h, posso relatar que geralmente é um período mais tranqüilo, no qual o número de atendimentos cai consideravelmente.

 

Porém, na noite e madrugada passadas, o número de registros ultrapassou a casa dos 150 (quando o normal não chega à metade disso). Entre pacientes cardíacos, diabéticos, vítimas de arma de fogo e/ou arma branca, mais da metade procuraram (e procuram) o hospital alegando: dor de estômago, cabeça e mal estar (leia-se: sensação indefinível, mas ruim). Isto, sem falar os que chegam com dor nos olhos (oftalmologista) e dentes (odontologista).

 

Claro que somente um médico pode avaliar a gravidade de uma doença, mas, por definição, sintomas como estes não exigem serviço de urgência; pelo menos, não em princípio. Como um colega meu de plantão comentou, muitas dessas pessoas vêm ao pronto-socorro em busca de “din-din” — uma combinação de Dipirona ou Diclofenaco (analgésicos) –, medicam-se e seguem para as suas residências.

 

Enquanto isso, pacientes hipertensivos ou epilépticos disputam prioridade no atendimento (ainda sob protesto dos demais), temerosos de perder lugar na fila e a mercê dos sintomas de suas patologias. “Estou aqui desde as 19h e você quer chegar agora e passar na minha frente?”, indaga com as narinas obstruídas por ranho, um paciente gripado, ao ver, carregada pelos filhos, uma senhora de aproximadamente 50 anos, vítima de cálculo renal. Soa piegas? Talvez. Mas, é certo? Hum?

 

Apóio sim, a continuidade da expansão dos espaços hospitalares públicos, assim como a construção de outros, mais novos e modernos. Contudo, vejo como indispensável, a promoção de campanhas de conscientização e humanização da sociedade em geral, e não apenas dos funcionários públicos e médicos. Afinal de contas, todos constituímos uma ordem social baseada na educação, onde o mínimo a se fazer é pô-la em prática.

 

 

Escrito ao som de: Travis, Radiohead e John Mayer.

02
Mar
09

Uma forma de ver… Amizade.

Conversar ao telefone? Discutir? Passear? Falar besteira? E por aí, vai. Amizade que se preze tem isso. Mas amizade de verdade, não essas em que se usa as palavras “amigo/a” descontroladamente. Amizades que não precisam ser clamadas ao mundo como um aviso (“Ai, fulano É MEU amigo”).

Amizade é não ter medo de conversar, não hesitar (ou hesitar compreendendo que isto faz parte do outro), abraçar, conversar. É ter alguém como pilar. Amizade é uma rotina sadia de falar todos os dias. Uma sobremesa depois de um almoço ruim. Algo para se levar por onde quer que vá.

Amizade é saber magoar fazendo bem. É abrir mão, sem abrir. Largar de vez, mas para fortalecer. Observar o passo a passo e avaliar tudo, depois, junto. Junto. Amizade é saber considerar as evoluções e involuções dos relacionamentos. É não temer.

Amizade é não acabar tudo por motivos menores. É sentir, não divulgar. É falar, não omitir. Fácil é chamar de amigo; difícil é dizer, do fundo do coração: “conto com você, pro que der e vier, incondicionalmente”.

Amizade é redigir diversas linhas sobre o assunto e não defini-lo. É desabafar, acima de tudo. Porque, no final das contas, é um comentário sobre o que se sente escapar “como areia da praia entre os dedos”. Amizade é saber ver as pistas que Deus deixa de que somos felizes.

19
Jan
09

Apresentação

Talvez até tenha um outro lugar em que seja mais adequado fazer a apresentação do blog, mas vou-me utilizar deste.  Como o próprio nome e a frase sob ele dizem, o Versão N nada mais é do que um conjunto de narrativas acerca de fatos que presenciei, ou não, e me incitaram a comentar. A emitir uma opinião. Em outras palavras, é um blog comum, mas cujo nome foi resultado de uma busca apurada pelo ineditismo, filtro do wordpress para evitar repetição de títulos (risos). Dito isto, divirtam-se com a minha versão dos fatos. Sejam bem-vindos.




 

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Mai    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Páginas