Hoje é dia 1º de janeiro. Ponto de partida para um novo ano cercado de expectativas. Momento de celebração, análise e, claro, elaboração de planos. Opa, planos? Espera que nesse ponto há algo errado. Não tenho nenhum. Quer dizer, nem no ano passado, nem nos anteriores. É até engraçado pensar como passagem de ano não tem lá muito significado para mim. Na noite passada, ouvi todo o tipo de metas como arranjar segundo emprego, fazer especialização, perder quilos e até comprar um avião.
E eu? Nada. Nem chegar mais cedo ao trabalho ou me dedicar melhor a minha própria vida. Dia 31 passou, fogos foram soltos e abraços dados. Desejos de “feliz ano novo” feitos e mais uma ceia consumada. Mas para mim foi como só acordar na sexta e vir trabalhar. Algo sem simbolismo. Não por minha vida estar nas melhores condições possíveis e eu ignorar a data como rito de passagem… Longe disso. Na verdade, se for para comentar, é melhor dizer que o padrão segue mantido.
Continuo com dois empregos, camisas de super-heróis e cabelo partido para o lado; sem pretensões ou metas. Um barco à deriva. Até me sinto mal ao olhar para os que me cercam e ver que não almejo nada. Parece um contrato de mediocridade que fiz comigo mesmo (sem surpresas = sem desapontamentos). Hoje de manhã, enquanto ouvia risos, piadas e chamados (“Lennon, o que tu tens?”), fingi dormir com a cabeça recostada no vidro do carro. Na verdade, avaliava a vida que programei no piloto-automático e direcionei a lugar nenhum.
Pela primeira vez, não tive forças para zombar, conversar ou, sequer, cochilar. Quis, isso sim, sumir – e talvez isso fosse uma boa forma de quebrar a rotina. Também quis parar, sentar e refletir sobre o que quero e preciso para mim. Exclusivamente para mim. Coisa que não faço há tempos e até achei que tinha desaprendido. Algo não tão grande quanto um cronograma anual, mas nem tão ínfimo quanto auto-promessas.
O gesto simples de pegar um bloco de papel velho e enumerar: (1) procurar emprego melhor, (2) perder peso, (3) praticar esporte, (4) me dedicar a outras atividades que acredito desempenhar bem, (5) ficar com os amigos, (6) procurar um amor, (7) abraçar uma árvore, (8) escrever um livro, (9) fazer um filho e (10) ser menos rabugento. Depois, riscar cada item – um por um – e apresentá-los no próximo réveillon. Prova máxima de que, se não consegui colocá-los em prática, pelo menos tentei. Ou, melhor, planejei.

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