Trinta, quarenta, cinquenta dias. Horas pensando no que aconteceu de errado. Talvez leve um ou até dez anos para restabelecer. Ou nem volte. O tempo passa devagar no começo, mas volta, do mesmo jeito, ao ritmo normal. Na verdade, o jeito é fazer com que ele pegue leve e não aja como uma Lacuna Inc. da vida.
Aos poucos a cabeça vai dando lugar a outras coisas. A preocupação consigo vai retomando o controle. As músicas voltam a ser apreciadas por letra e melodia (e não por associação). Os filmes voltam a ser alvo de crítica técnica (e não versões em vídeo de livros de auto-ajuda).
Tudo vai se encaminhando para uma espécie de ‘limbo’. De onde não se sabe o que esperar. Como vai ficar. Contudo, nenhuma informação se apaga definitivamente. Só o apego a elas que diminui de maneira drástica. É hora de esquecer o relógio, o calendário e o celular. Não há mais necessidade de contar o tempo. Dá-se conta, de uma vez por todas, que ele passa indepentemente de nossa atenção.
É hora, sim, de pensar no café da manhã, no bom dia aos amigos, no jogo da Libertadores e no programa de fim de noite. Quanto ao amanhã… É cedo ainda. Cedo demais para se preocupar.
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